Delegado-vidente estreia coluna de horóscopo

Conforme prometido, estreia hoje a coluna de horóscopo civil escrita pelo delegado Fernando Veloso. Na coluna de hoje, Veloso interpreta a influência dos astros no protesto que acontece logo mais, às 17h, em frente ao TJ-RJ, em repúdio ao estado de exceção que vive hoje o Rio de Janeiro.

veloso-vidente

ÁRIES (de 20/03 a 20/04)

Você deve priorizar os protestos que envolvem outras pessoas e fortalecer o senso de equipe. Convém ficar atento, pois a equipe de hoje pode ser a quadrilha de amanhã.

TOURO (de 21/04 a 20/05)

Prisão preventiva dos taurinos é a tendência de hoje. Fase importante para escolher caminhos alternativos, de desfazer hoje o feito ainda não-feito de amanhã.

GÊMEOS (de 21/05 a 20/06)

Dia que favorece o entendimento afetivo e também as soluções criativas, querido geminiano. Se for preso durante o protesto, saberá perdoar o policial que forjou flagrante.

CÂNCER (de 21/06 a 21/07)

Dia muito importante para compreender a dinâmica de seu comportamento emocional. Apresente-se na delegacia mais próxima para saber se a raiva vai se tornar crime logo mais.

LEÃO (de 22/07 a 22/08)

A presença da Lua no signo oposto ao seu caracteriza um dia voltado ao conhecimento permitido pelo governo. Momento oportuno para jogar fora jornais de esquerda e livros anarquistas. Dia positivo.

VIRGEM (de 23/08 a 22/09)

Fase importante para o trabalho onde você pode agir com mais inovação e criatividade. Sabe aquele Pinho Sol que estava guardado na dispensa? Ele pode ser usado como prova contra você, já que Saturno na casa 8 deixa a perícia um pouco menos cuidadosa.

LIBRA (de 23/09 a 22/10)

Dia amplamente favorável aos librianos que sabem obedecer às ordens do governo. Nesse período você poderá contar com o apoio das pessoas para realizar os seus objetivos. Não será preso nos próximos dias.

ESCORPIÃO (de 23/10 a 21/11)

Momento importante para compreender o seu comportamento psicológico e emocional, que será responsável pelos atos ilícitos que você, caro leonino, fará no próximo mês. Conte com auxílio terapêutico para se conhecer melhor e mudar suas atitudes.

SAGITÁRIO (de 22/11 a 21/12)

A intuição, inteligência e a capacidade de comunicação ajudam a realizar projetos importantes. É hora de obediência e reflexão: quando um agente policial bater em sua porta, faça o que ele manda.

CAPRICÓRNIO (de 22/12 a 21/01)

Dia que favorece uma conciliação onde antes havia problemas. Momento de agir de forma mais companheira e amigável, capricorniano. Que tal tirar um tempo de suas férias para visitar os amigos na cadeia? Não me parece uma má ideia…

AQUÁRIO (de 21/01 a 18/02)

A Lua está em seu signo em um aspecto complicado com os planetas Vênus e Marte. Dia pouco favorável aos aquarianos que vão às ruas protestar. Policiais corruptos estarão a postos, é tempo de introspecção e cárcere privado.

PEIXES (de 19/02 a 19/03)

Excelente período para compreender as origens do seu comportamento emocional. Use o tempo de reclusão para reavaliar o que fez ou iria fazer de errado.

—–

O Chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso, é o primeiro delegado oficialmente apto a prever crimes e distúrbios da ordem.

Talk-Chá do Rafucko: JP Cuenca

Em um chá da tarde, recebi a visita do querido escritor João Paulo Cuenca. A entrevista é interrompida o tempo todo pelo cachorro Crackudo, pelo gatinho Dendê e pelo neto peralta Pererê, mas tá uma delícia. Aproveitem:

Aliás, já curtiram a página do Dudu Pererê no Feice?
Aqui uma dica pra quem quiser acompanhar as novidades de perto

E mais:
Assista a todas entrevistas do Talk Show do Rafucko

Para ditar a liberdade: Entrevista com Rafucko

Talk Show do Rafucko: Letuce

O Consultório Místico do Pai Rafucko recebe a cantora-barra-atriz Letuce. Também recebemos a ilustre visita de Arthur Braganti e o poeta-vaca Dudu Pererê.

Na quinta-feira vou publicar um poema extra! :)

Assista também:

Talk Show do Rafucko com Gregório Duvivier
Talk Show do Rafucko com Marcelo Freixo

Talk Show do Rafucko: Gregório Duvivier

A segunda entrevista do Confessionário, digo, do Talk Show do Rafucko é com o ator e escritor Gregório Duvivier.

OBS:
Peço perdão às pessoas citadas abaixo. Aparentemente, deixei uma cartela de apoiadores de fora nos créditos finais. É isso que dá zombar da Igreja Católica… #CASTIGO!

Fica aqui o meu mais sincero agradecimento a:

Patrícia Olivieri
Patrícia Pieratti
Patrícia Pinheiro
Patrícia T.
Patricia Trajano
Paula Atreides
Paula Kossatz
Paula Ordonhes
Paula Pellegrino Trefiglio
Paula Silvestre
Paula Vinha
Paulo
Paulo Cunha
Paulo Salomeno
Pedro Aurélio Rocha
Pedro Curi
Pedro Damasio Werneck
Pedro Doná
Pedro Fonini
Pedro Grandchamp Neto
Pedro Henrique
Pedro Henriques
Pedro Luiz Gonçalves Fuschino
Pedro Magalhães Lopes
Pedro Montaleone
Pedro Nascimento
Pedro Nogueira
Pedro Rajão
Pedro Rezende
Pedro Scheffer
Pedro Serra
Pedro Vasconcelos Junqueira Gomlevsky
Peterson Silva
Philipe Arapian
Phillipe Trindade
Pinheiro Neto
Prema Goet
Priscilla Oliveira
Quel Oliver
Quito
Rachel Lima
Rafael Arrais
Rafael Barsotti
Rafael Betencourt
Rafael Cancellier
Rafael da Paz
Rafael De Souza
Rafael Delerue
Rafael Dourado
Rafael Faria
Rafael Flores
Rafael Geraldo de Queiroz Sousa
Rafael Gonçalves
Rafael Lopes Azize
Rafael Machado
Rafael Maia Pinto
Rafael Matias
Rafael Medeiros
Rafael Medina Lopes
Rafael Mellim
Rafael Munia
Rafael Persan
Rafael Pimenta
Rafael Prado de Oliveira
Rafael Queres
Rafael Rezende
Rafael Roesler Millon
Rafael Saldanha
Rafael Valle
Rafael Zincone
Rafael Moretti
Rafaela Mayer de Moraes
Raffaele Enrico Calandro
Raíssa Rocha
Ramiro Figueiredo Catelan
Ramon Mello
Ramona Freitas
Raoni Gama Rocha Oliveira
Raphael Lopes de Almeida
Raphael Maximo
Raphael Rocha
Raphael Stoffella
Raphael Tsavkko Garcia
Raquel Barbosa
Raquel Klafke
Raquel M-M
Raquel Rodrigues
Raul Sinedino
Ravel Brasileiro
Re Dias
Regiane Nigro
Renan Chaves
Renan Lucas Lucio de Araujo
Renata Cavallieri
Renata Dalaqua
Renata Diniz de Alencastro Graça
Renata Furtado
Renata Mello
Renata P
Renata Sampaio

Talk Show do Rafucko: Marcelo Freixo

Nasceu!!!!!!!

Primeiro episódio do Talk Show Do Rafucko, com Marcelo Freixo. Ele reacendeu a paixão de muita gente pela política. Por isso (e porque ele é lindo), preparei um jantar à luz de velas pra recebê-lo. Vai que…

OBS 1: no próximo episódio já teremos os nomes dos apoiadores nos créditos)
OBS 2: vou arranjar uma situação apropriada pra fazer o streaming de agradecimento

NASCEU!!!!

atingimos

 

Agora só falta…

Eduardo Paes no Talk Show do Rafucko

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi convidado para ser entrevistado. Os assessores dele ainda não deram uma resposta, por isso, acho que seria bacana se fossemos à página dele no Facebook e no Twitter para pedir:

Eduardo, por favor, aceite o convite para participar do Talk Show do Rafucko! #AceitaPaes

A campanha #AceitaPaes já tem até vídeo oficial!

Veja só que criativo, este apoiador, que não tem twitter nem facebook, e optou por mandar uma cartinha direto pro gabinete do Prefeito!

Apoiador anônimo enviou cartinha pedindo para o prefeito aceitar o convite!

Apoiador anônimo enviou cartinha pedindo para o prefeito aceitar o convite!

Espalhem em suas redes. Seguimos juntos na torcida. :)

Em tempo:
Apóie o Talk-Show do Rafucko! Falta pouco!

Rafucko entrevista Polícia Civil

Semana passada, recebi uma intimação da Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre um processo do qual eu não tinha conhecimento. O número estava no topo da página, mas ligar para a delegacia para descobrir sobre o que se tratava seria um mero exercício de curiosidade, já que estava certo de que não havia quaisquer esclarecimentos a serem prestados por mim a polícia nenhuma.

Enquanto esperava o dia e hora do depoimento, fui juntando as peças que se apresentavam à minha frente. O que eu descobri, relato abaixo:

Um processo interno da Polícia Civil foi aberto contra o delegado Orlando Zaconne, que assistiu à performance “1º UPP – Prêmio de Protestos” em novembro do ano passado. O “crime” cometido por Zaccone ao assistir a performance artística teria sido o de “prevaricação”, quando um agente da lei presencia uma contravenção e nada faz. Mas qual seria a contravenção? O uso de um manequim roubado da Toulon (os manequins receberam o prêmio de “Maior Ato de Vandalismo”). A denúncia de que o artista teria feito interceptação de um objeto de roubo foi feita por este homem:

Reinaldinho escreve para o veículo de ficção "VEJA"

Reinaldinho escreve para a revista de ficção “VEJA”

A Polícia Civil, muito corretamente, levou a cabo as investigações, não sobre Reinaldo e sua lucidez/confiabilidade, mas sobre este outro homem:

Intimadíssima, Rafucko ficou pê da vida.

Intimadíssima, a mídiativista Rafucko ficou pê da vida.

É um humorista, um ativista, um videomaker ou apenas uma bicha vlogueira? Sim.
Rafucko não se deixou intimidar e fez o que qualquer pessoa que preza pela liberdade faria em um momento tão difícil como este: se vestiu de Ana Maria Braga e chamou azamiga tudo pra ir com ele fazer um auê na Corregedoria da Pol. Clica o play e acooooooooorda, menina!

O vídeo  ̶a̶t̶i̶n̶g̶i̶u̶ ̶1̶ ̶m̶i̶l̶h̶ã̶o̶ ̶d̶e̶ ̶v̶i̶s̶u̶a̶l̶i̶z̶a̶ç̶õ̶e̶s̶ ̶a̶p̶ó̶s̶ ̶s̶e̶r̶ ̶r̶e̶t̶i̶r̶a̶d̶o̶ ̶d̶o̶ ̶a̶r̶ ̶p̶e̶l̶a̶ ̶G̶l̶o̶b̶o̶ rodou a high society ativista carioca e muita gente mostrou apoio nas redes sociais!

ATENÇÃO: ler somente os dois primeiros tweets (não consegui cortar o print, tô no cel)

ATENÇÃO: ler somente os dois primeiros tweets (não consegui cortar o print, tô no cel)

Rafucko pensou em ignorar a intimação, pois desde pequeno adora ser desobediente. Porém, o castigo que os titios da Polícia Civil ameaçaram lhe dar era um pouco mais grave que algumas palmadas (aliás, antes fosse, rs… mas isso assunto pra outra hora!). Se tem duas coisas que ele odeia elas são: passas no arroz e ser privado de sua liberdade!

Auxiliado por vários advogados (que lhe diziam “não faça isso!”), Rafucko compareceu à delegacia vestido assim:

William Bonner Sexy posa ao lado do Presidente (foto: Carmen Astrid)

William Bonner Sexy aposta em look ousado: meia-calça “arrastão” e military boots. Aqui, ele posa ao lado do Presidente (foto: Carmen Astrid)

William Bonner Sexy foi impedido de entrar no prédio com as pernocas à mostra, mas argumentou que a intimação não especificava o dress-code para a ocasião. Depois de 30 minutos, pôde entrar para ser interrogado com uma calça balonê azul, que não compôs o look. A pedido do artista, não iremos reproduzir aqui as fotos deste momento.

A Polícia fez uma investigação exemplar: o exame de DNA provou que o manequim que compareceu à premiação não era o mesmo manequim violentado na noite de 17 de julho no Leblon. Os manequins violentados na Toulon eram negros.

manequim

Manequim espelhado que compareceu à premiação (à esquerda) e manequins agredidos no Leblon (à direita) não eram da mesma família, segundo laudo do IML.

A ossada de Amarildo, os autores dos tiros que mataram Cláudia Ferreira, o dançarino Douglas, e as outras milhares de vítimas fatais da UPP ainda não foram encontrados e, ignorando tudo isso, o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro lançou uma campanha contra o extermínio da população de manequins negros.

O Secretário de Genocídio do Rio de Janeiro lançou campanha pelo fim do extermínio de seres inanimados (foto: Divulgação)

O Secretário de Genocídio do Rio de Janeiro lançou campanha pelo fim do extermínio de seres inanimados (foto: Divulgação)

Rafucko foi questionado acerca do 1º UPP – Prêmio de Protestos, mas disse ao delegado que preferia permanecer em silêncio, por não se sentir confortável em prestar esclarecimentos sobre uma performance artística à Polícia.
Aproveitando o gancho da campanha de arrecadação de fundos para produção do seu próprio Talk-Show (já apoiou? é simples, rápido, e faz bem pra pele!), o desobediente e provocativo sósia do sagrado William Bonner fez perguntas à Polícia Civil na frente do prédio, para um grupo de mídiativistas. Segue a entrevista, que pode ser respondida pela Polícia Civil ou pelo delegado Felipe Bettencourt do Vale a qualquer momento. Este humilde blog se põe à disposição para a divulgação de suas respostas:

 
Vídeo feito pelo MIC – Mídia Independente Coletiva e Linha de Frente Audiovisual

Uma das fãs que acompanhou o pronunciamento empunhava um iPhone e perguntou ao menino que estava do seu lado: “quem é ele? Ele é famoso?”. A resposta foi negativa.

O jornalista do jornal O Dia ligou para a Polícia Civil – veja só que curioso, ainda há jornalistas que apuram os fatos, coisa rara hoje em dia! – para questionar sobre a intimação feita a Rafucko. Vejam a frase final desta matéria:

Procurada pela reportagem do BLOG LGBT, a Polícia Civil informou que houve um erro material na expedição do documento enviado ao artista, que deveria ser um convite e não uma intimação.

A declaração gerou desconfiança na internet, mas me sinto no dever de informar que, de fato, a Polícia não estava mentindo. Fizeram questão de corrigir o erro e a seguinte correspondência chegou aqui em casa hoje:

"Era pra ser um convite, mas porque queríamos tanto a sua presença, enviamos uma intimação!", disse o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso.

“Era pra ser um convite, mas porque queríamos tanto a sua presença, enviamos uma intimação!”, disse o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso.

Por fim, segue o texto do pronunciamento, na íntegra:

“A arte é conduta atípica.”

Lá dentro, me mantive em silêncio, porque acredito que tenho poucas respostas a dar para a Polícia Civil. Entretanto, tenho muitas perguntas:

O Rio de Janeiro tem uma das polícias que mais mata no Brasil – e no mundo! Quantas investigações estão sendo feitas sobre este fato neste momento? Quantas já foram julgadas?

O ex-governador Sérgio Cabral é notório mandante de vários crimes contra a população. Por que nem ele nem ninguém da sua quadrilha de Secretários foi intimado a prestar qualquer esclarecimento?

A internet está cheia de páginas que apóiam e promovem a violência policial. Quantas destas páginas são alvo de investigações da Polícia Civil? Quantos administradores já foram intimados para prestar esclarecimentos?

Hoje, em pleno 2014, eu fui intimado – e intimidado – a vir neste prédio anexo do antigo DOPS para prestar esclarecimentos sobre uma performance artística, a partir de uma denúncia feita… pela Revista VEJA.

Mas não se trata de uma denúncia qualquer! O colunista mentiroso Reinaldo de Azevedo me acusou de “interceptação”. Disse que eu teria usado um manequim roubado da Toulon na performance “Prêmios de Protesto”, onde ironizei a distorção patética do governo do Rio e da mídia durante os protestos de 2013. Durante a “premiação”, um manequim inanimado recebeu o prêmio de “Maior Ato de Vandalismo”, porque, em julho de 2013, a quebra de uma loja no Leblon causou mais comoção na cúpula de segurança do RJ do que a retirada de vidas humanas na favela da Maré uma semana antes. Foi a imaginação fértil – ou a cegueira ideológica – deste nada confiável colunista, nesta nada confiável revista, que me trouxe aqui hoje.

Inclusive, o fato da gente estar aqui hoje, nesta situação, é MAIS UMA PROVA de que a Polícia continua se preocupando mais com os manequins da Toulon do que com os corpos humanos estendidos no chão das favelas.

Repudio publicamente esta investigação patética da Corregedoria da Polícia Civil, a acusação infundada e criminosa da Revista VEJA, e a conivência e cumplicidade do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, do governador Pezão e da presidenta da República Dilma Rousseff.

Se você parar pra refletir, você vai perceber que esta guerra que estamos vivendo não é contra as drogas, mas contra os pobres. Traficantes do morro e policiais não são lados opostos. Eles são o mesmo lado, o único lado cuja morte é aceitável para a nossa sociedade, para a nossa mídia. Os policiais, assim como os traficantes, são em sua maioria negros, pobres, e moram em comunidades. Enquanto eles se matam entre si, os verdadeiros fornecedores – e proibidores – das drogas voam de helicóptero e transitam livremente no Senado, na Câmara e nas Assembleias Legislativas.

Se você parar pra se informar, você vai ver que esta guerra não é contra vândalos, mas contra as pessoas que querem mudanças reais. O número de crimes cometidos pelas polícias militares durante as manifestações nunca foi exatamente registrado, divulgado e nem julgado. No ano passado, muitos brasileiros puderam experimentar nas ruas uma amostra do que é a violência nas favelas. Mas, como vimos ontem, no coração do Rio, as balas que acertam os favelados não são de borracha. E fica cada vez mais claro que a polícia brasileira não detém apenas o monopólio da violência. Ela detém o monopólio do crime.

E pra você que tá sentado no sofá, achando que tá tudo bem, eu sinto lhe dizer, mas esta guerra é contra você! E ela vai chegar até você, porque a nossa mídia trabalha para justificar os crimes de polícias e governos.

Pra não dizer que trouxe apenas problemas e nenhuma solução, eu reuni uma lista de veículos de comunicação alternativa para a Policia Civil se informar melhor, e parar de usar a VEJA como fonte, pois é de meu interesse que esta instituição volte a fazer investigações realmente relevantes para o bem-estar do nosso país. Delegado, eu recomendo que você procure as páginas do coletivo Rio na Rua, do jornal A Nova Democracia, da Midia NINJA, do Mídia Independente Coletiva, da Assembleia do Largo, do Voz das Ruas, do Coletivo Mariachi, do CEMI… Tem informação bacana também num tal de Rafucko.com.

Aliás, se tiverem uma graninha sobrando, apoiem o crowdfunding do meu Talk Show!

E pra quem está me ouvindo agora, eu faço um apelo:

Rebele-se! É legítimo! É legal! E, neste momento, é extremamente necessário!

A Humanidade ainda não fracassou.

prefeitura-fila

O movimento LGBT, que diz lutar por Direitos Humanos, não estava lá ontem.

Os professores, que pediram apoio da população quando fizeram greve, não estavam lá ontem.

Os garis, que comoveram as redes sociais durante a greve, não estavam lá ontem.

As igrejas, essas instituições que pregam o amor ao próximo, nenhuma delas estava lá ontem.

A Rede Globo, a Band, o SBT e a Record, e alguns sindicatos, todos deram uma passadinha, mas nenhum estava lá ontem.

Nenhum movimento organizado estava lá ontem.

Havia apenas algumas dezenas de indivíduos, uns poucos advogados e midialivristas, todos completamente consternados pelo cenário desolador das famílias desabrigadas. Há 3 dias dormindo sob chuva, feitos de idiotas pelos assistentes sociais da Prefeitura, que tiravam “selfies” (a nova moda!) enquanto centenas de pessoas eram informadas de que não poderiam mais se cadastrar naquela noite – o expediente acabou! Não conseguiram pegar a SENHA, para então voltar nos dias seguintes e fazer um CADASTRO, para então esperarem meses, anos, sabe-se lá quantas eleições, por um teto para morar.

Na internet, li algumas discussões. São invasores? São vagabundos? Havia assaltos! Deveriam ser ladrões…

Ninguém lembrava que eram humanos. Poucos viam os bebês de 2 meses de idade, as crianças que brincavam com seus próprios dejetos absorvidos nas malhas de suas roupas, as senhoras com os pés descalços e os homens e mulheres que não tinham outra opção a não ser aquilo ali, a mais baixa situação de dignidade que eu já presenciei na minha vida.

O Batalhão de Choque, sempre tão covarde, expulsou as famílias de dentro da passarela do Metrô Rio, propriedade pública que eles insistiam que era privada (o único teto que havia ali, diga-se de passagem). É de uma crueldade escatológica jogar aquela gente, que já nada tem, no chão molhado, para terem menos ainda.

Ontem foi um dia em que me senti completamente demente. Fiquei paralisado enquanto uma mulher, chorando e tremendo, dizia que o Choque ia jogar (mais) pimenta nas suas crianças. Tive ataque de riso quando percebi que as doações que chegavam não supririam a necessidade de um terço daquelas pessoas. Decidi ficar pra assistir, mesmo sem bateria no celular, quando o Choque e a Guarda Municipal cercavam os desabrigados e causavam alvoroço. Me vi, mais de uma vez, sem querer, no lugar de decidir quem ali iria beber água potável e quem ficaria sem.

A Humanidade não fracassou, como alguns ali faziam questão de frisar. Fomos para um poço sem fundo, é bem a verdade, mas ao olhar para aquelas centenas de guerreiros e guerreiras das mais variadas idades, a última palavra que me vinha à cabeça era fracasso.

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