CARTA ABERTA ÀS FAMÍLIAS AFETADAS PELA VIOLÊNCIA POLICIAL NO RIO DE JANEIRO E A TODOS QUE SE INCOMODARAM COM O MONSTRUÁRIO 2016

CARTA ABERTA ÀS FAMÍLIAS AFETADAS PELA VIOLÊNCIA POLICIAL NO RIO DE JANEIRO E A TODOS QUE SE INCOMODARAM COM O MONSTRUÁRIO 2016:

Passei os últimos dias lendo, ouvindo, refletindo e falando pouco, em um lugar de escuta sobre os impactos e reações à loja de anti-souvenirs do Rio de Janeiro, o Monstruário 2016. Abro aqui mais um canal de diálogo e esclarecimentos.

O Monstruário 2016 é uma loja de “anti” souvenirs (do francês, “lembrança”, “memória”) com produtos que estampam a violência do Estado contra a população, seja no extermínio do povo da favela, ou nas remoções forçadas para as Olimpíadas. Há também uma crítica à forma como a mídia noticia isso tudo: uma pequena nota no canto da página principal, não dando a verdadeira importância ao assunto, criminalizando as vítimas da violência policial.

A venda é parte importante da obra, por reproduzir/revelar essa lógica comercial e monstruosa que transforma a cidade num parque temático pra poucos enquanto a juventude negra é chacinada. Entendo que a obra cause incômodo: de fato, não é uma piada.

É importante dizer que apesar de os produtos serem vendidos, não houve lucro: o dinheiro das vendas serve para pagar a produção dos mesmos, paga com meus honorários da residência artística. O projeto é produto resultante de uma residência artística realizada no mês de março, com outros 11 artistas, sendo 6 moradores de favelas e 6 de outras zonas da cidade. A venda, feita num espaço da Prefeitura, é também uma crítica a como o Estado insiste em vender a cidade do Rio de Janeiro como maravilhosa, mesmo em meio a tanto sangue e tantas dores. Usei o logotipo oficial das Olimpíadas para deixar claro que a memória que se deve levar deste evento é também aquela dos que foram excluídos da grande festa, seja pela remoção de sua casa ou de suas vidas e de entes e amigos queridos.

A imagem do carro fuzilado 111 vezes é emblemática desta violência, e por isso achei que poderia usá-la como símbolo da minha crítica. Não queria, com isso, causar mais sofrimento para pessoas cuja dor eu não posso nem mensurar. Sou homem, branco, de classe média, e não sou alvo direto desta violência. Mas ela me atravessa, como humano. E tenho a consciência de que sou, assim como toda a população, co-responsável por esta dinâmica, pois as balas que saem dos fuzis de policiais são financiadas por nós. Por isso, peço desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e pelo impacto negativo que isso causou nas famílias que perderam entes queridos. Reconheço que deveria ter havido mais reflexão sobre estes aspectos durante o processo criativo. Espero que ainda assim consigam ver que existe lugar e urgência para todos na luta por direitos humanos e valorização da vida.

Apesar do tema central da obra ser a violência de Estado, já que a ampla maioria das vítimas é composta por jovens negros da periferia, não há como abordar essa pauta sem tocar nas feridas abertas do racismo em nossa sociedade. Nesta semana, a PMERJ promoveu mais algumas chacinas no Estado do Rio de Janeiro, matando dezenas de pessoas. A intenção do trabalho era chamar atenção para essa dinâmica naturalizada, mas como a discussão tomou outro viés, resolvi tirar de exposição os “anti-souvenirs” e substituí-los por souvenirs oficiais, e seguir chamando a exposição de “Monstruário”, uma vitrine que pretende esconder as monstruosidades praticadas pelo Estado contra a população. Essa questão não devemos perder de vista.

Nesta terça feira, às 16h, haverá um debate sobre todos os trabalhos doComPosiçoes Politicas no Centro Hélio Oiticica e quem teve discordâncias com a minha obra está convidado para falar e me ajudar a refletir sobre como posso usar o meu trabalho de maneira mais efetiva em favor de uma causa que me é tão cara.

Abraços afetuosos,
Rafucko

Monstruário 2016

Uma loja de anti-souvenirs do Rio Olímpico. Confira todos os produtos aqui.

Intervalo comercial na Câmara dos Deputados

A Coca-Cola patrocinou Eduardo Cunha, e agora quer patrocinar VOCÊ! Participe da promoção “Vida de Deputado”!

Novo formato do Jornal Nacional

No novo Jornal Nacional (2016), William Bonner apresentará a atração ao lado de um policial. Assista!

Pra que “Brasil”, se podemos ser “Globo”?

adnet militante

Demorou quase exatos 3 anos pra Globo conseguir reeditar as passeatas de junho de 2013. Mudaram todas as pautas de acordo com seus interesses:

– A construção superfaturada de Belo Monte, que arrasou a natureza e os povos indígenas, virou mero caixa 2 do PT. Porque a ELETRONORTE patrocina o Jornal Nacional.

– O dinheiro público investido em Copa e Olimpíadas, em detrimento à infra-estrutura pra população, virou mero caixa 2 do PT. As populações removidas que se fodam, porque a Globo ganha milhões transmitindo estes dois eventos.

– A corrupção de uns foi apagada, pra virar a corrupção de outros. Collor e Sarney, por exemplo, grandes nomes citados em 2013, possuem retransmissoras da Rede Globo.

– Os bancos, seus juros e lucros, saíram de cena, porque eles patrocinam a novela, o jornal e até o programa matinal.

– Não se toma um país sem as forças militares. Por isso, a violência policial também sumiu das pautas, assim como o canto “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”. Porque a Globo apoia a polícia e o exército.

– As tarifas de ônibus não são a pauta do dia. Porque a Globo apoia governos e prefeituras corruptos, em troca de muito dinheiro público para a Fundação Roberto Marinho administrar museus, por exemplo.

E amanhã, os patriotas de direita vão bater palma pro Jornal Nacional e os patriotas de esquerda vão bater palma pro Adnet!

Por isso, quando gritarem “QUE PAÍS É ESSE?”, você pode responder “É A PORRA DO PLIM PLIM!”

(a foto que ilustra o post é o ~genial~ Marcelo Adnet fazendo um militante que só reclama da Globo o tempo todo)

Rafucko entrevista Jón Gnárr

Entrevistei o comediante e ex-prefeito de Reykjavyk, capital da Islândia, Jón Gnárr. Rei e bobo, um dos melhores seres que já encontrei. Vale o clique :)

QUER VER EDUARDO PAES NO TALK SHOW DO RAFUCKO?

Escreva um email para os assessores que estão blindando o prefeito:

Para: Teresa Cristina Fayal <tcfayal@gmail.com>; Rafael Lisbôa <rafaellisboa.rj@gmail.com>

Assunto: Eduardo Paes no Talk Show do Rafucko

Mensagem:
Olá, Teresa e Rafael,

eu, como cidadão carioca, gostaria de ver o prefeito Eduardo Paes respondendo aos questionamentos de Rafucko. Em uma democracia, os representantes do povo devem estar abertos a serem questionados, sobretudo pelas pessoas que não concordam com sua gestão.

Aguardo uma resposta, de preferência positiva.
Abraços,

A Real História dos Bichos

Pra onde vão os animais depois que são removidos da floresta?

Um Dia de Doméstica para Ana Maria Braga

Depois do concurso “Dia de Patroa” no programa Mais Você, o programa Menos Eu começa o desafio “Dia de Doméstica”. E aí, Ana Maria: aceita?

Hemofobia mata!

Fui doar sangue semana passada e recusaram por eu ser homossexual. Refiz a história mais ou menos como ela aconteceu. Assista:

VEJA Honesta

Se a VEJA fosse uma revista honesta, esta seria a capa dessa semana:

veja-honesta

 

(originais aqui: http://on.fb.me/1Eha0fL e http://glo.bo/1h8CFsu)

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