O mal da verborragia

Verborragia é o uso de uma quantidade enorme de palavras difíceis para falar um conteúdo de pouca importância.

Entretanto, falando assim, verborragia, por si só, parece uma coisa bem mais complicada. Parece uma doença infecciosa, uma perebinha para a qual você não deu a devida atenção, que começou inocente e acabou virando uma ferida e que, quando você se deu conta, já aparentava uma grande verborragia.

-Ai, doutor, é verdade mesmo? É verborragia que eu tenho?

E ele vai te passar uma pomada e falar pra você esperar as bolhas estourarem. Verborragia tanto arde quanto dói. E verborragia, acima de tudo, coça. Verborragia não dá em criança e comer aspargos é a melhor forma de prevenção, por causa do zinco. Do zinco e do cobre. Nada melhor para evitar esta terrível doença do que cobre e zinco e, portanto, aspargos.

Pelo menos verborragia não mata.

– Não precisa se preocupar, – ele vai te dizer – a medicina já avançou muito no tratamento da verborragia e de outras doenças do sulco poliverbal… a verborreia (sem acento), por exemplo, já quase não existe mais!

Você respira aliviada, mas sai decidida a manter sua condição em segredo. Até estar curada desta terrível verborragia, se privará de qualquer contato íntimo com homens (ou mulheres), não usará biquínis nem shorts muito pequenos – muito menos blusinhas decotadas. Vai dormir no ar-condicionado (tem hífen?) e tomar banho com Soapex (ou Protex, ou hipogloss, sei lá). Umas semanas (ou meses) depois, você vai estar curada. Vai dar pro primeiro que aparecer pra tirar o atraso e estará livre deste infortúnio, desta moléstia, desta neuralgia paroxística subcutânea em teu tão profícuo material corpóreo, da psicalgia que foi a verborragia em sua vida, um averno para sua vida social, crises de um traspasso aguilhoado que você teve que enfrentar sozinha (coitada!), paroxismos da sociedade moderna aos quais estão submetidas todas as mulheres, multifacetadas ou não, que sobre ti se abateram…

ai…

Cansei.

Alguém sabe me dizer qual o nome que se dá para o uso de uma quantidade enorme de pensamentos sem sentido para falar um conteúdo de pouca (ou nenhuma) importância?

NOTA: Eu nem sei se aspargos têm zinco, eu só sei que eles dão um cheiro estranho no seu xixi.

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Sobre Rafael

Roteirista | Videomaker | VJ | | Writer | Videomaker | VJ

Publicado em maio 1, 2011, em RAFUCKO.TXT e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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