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Big Brother Favela

(English version below the video)

BIG BROTHER FAVELA

No dia 5 de agosto, a Prefeitura do Rio, o Governo do Estado e o Governo Federal lançam uma contagem regressiva de 1 ano para as Olimpíadas de 2016. Os preparativos para os Jogos Olímpicos escondem a realidade de remoções, devastação da natureza, corrupção e violência policial que assombram a população da Cidade Olímpica. Enquanto os governos contam quantos dias faltam para as Olimpíadas, nós convidamos a população para contar quantas pessoas faltam para essa grande festa – as vidas perdidas em decorrência da violência do estado.

Big Brother Favela é “o maior show de realidade que o Brasil já viu”. É uma instalação virtual/performance em formato de reality show, onde 7 participantes, em sua grande maioria negros ou pardos, viverão numa casa em uma comunidade. A casa será monitorada 24h através do site bigbrotherfavela.com. A cada dia, um jogador será escolhido pelo público para ser executado pela polícia diante das câmeras. Não há espaço para comentários no site, apenas a tela do streaming, e uma enquete para o espectador escolher quem será o eliminado. Levando o conceito de “show de realidade” ao extremo, Big Brother Favela pretende espelhar um estado onde a polícia tem licença para matar, e a população é conivente com isso.

O jogo poderá ser interrompido a qualquer momento se o Prefeito Eduardo Paes, o Governador Luiz Fernando Pezão e a Presidenta Dilma Rousseff pronunciarem a seguinte frase: “as forças militares precisam parar de matar nas favelas, e para isso é preciso regulamentar as drogas no Brasil”. Caso não ocorra a manifestação oficial, as eliminações acontecerão ao curso do programa.

O projeto é inspirado na instalação “Ausländer Raus” (Fora, Imigrantes), do artista alemão Christoph Schlingensief, que instalou um container em Viena, onde imigrantes ilegais viviam até serem deportados, no mesmo modelo proposto pelos grandes realities shows de televisão. A instalação era uma crítica à extrema-direita daquele país.

A partir de terça-feira, dia 4 de agosto, às 22h.

CONTATO:

http://bigbrotherfavela.com

http://rafucko.com

reality@rafucko.com

BIG BROTHER FAVELA

On the 5th of August 2015, governments of Brazil and Rio de Janeiro will release the official countdown for the 2016 Olympic Games. The preparation for the Games hides the sad reality of forced evictions, environmental devastation, corruption and police brutality that haunts the population of the Olympic City. While governments count how many days are left, we invite the population to count how many people are missing for this big party – the lives that are lost because of state-sponsored violence.

Big Brother Favela is “the biggest reality show Brazil has ever seen”. It is a virtual installation/performance in the format of a reality show, where 7 participants – most of them dark-skinned – will live in a house in a favela. The house will be monitored 24/7 through the website bigbrotherfavela.com. Each day, one of the participants will be chosen by viewers to be executed by police in front of the cameras. There will be no space for comments on the website; just the live stream and a poll.

Taking the concept of a reality show to the extreme, Big Brother Favela intends to mirror a state where police have a license to kill, and where the population remains unresponsive.

The game can be interrupted at anytime if the mayor of Rio de Janeiro – Eduardo Paes, the governor Pezão (Big Foot), and president Dilma Rousseff give the following statement: “Military forces shall stop killing in the favelas, and therefore it is urgent to regulate drugs in Brazil”. In the event that they don’t, the eliminations will follow as planned.

The project is inspired by the installation “Ausländer Raus” (Immigrants Out) by the German artist Christoph Schlingensief. He installed a container in Vienna, where illegal immigrants were living until being deported, on the same model proposed by reality TV shows. The installation was a critique to the extreme right wing politicians in Austria.

CONTACT:

http://bigbrotherfavela.com

http://rafucko.com

reality@rafucko.com

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Desafio do balde de sangue

Pessoal, criei uma brincadeira nova, o desafio do balde de sangue! Funciona assim: você vira um balde de sangue da favela na cabeça (vale de morador inocente, de amigo de traficante, de traficante ou de PM) e desafia três pessoas a fazerem o mesmo, enquanto defendem a atual política de combate às drogas, que mata muita gente – curiosamente, só gente pobre.

Fico no aguardo da participação dos três desafiados, rsrs…

A Humanidade ainda não fracassou.

prefeitura-fila

O movimento LGBT, que diz lutar por Direitos Humanos, não estava lá ontem.

Os professores, que pediram apoio da população quando fizeram greve, não estavam lá ontem.

Os garis, que comoveram as redes sociais durante a greve, não estavam lá ontem.

As igrejas, essas instituições que pregam o amor ao próximo, nenhuma delas estava lá ontem.

A Rede Globo, a Band, o SBT e a Record, e alguns sindicatos, todos deram uma passadinha, mas nenhum estava lá ontem.

Nenhum movimento organizado estava lá ontem.

Havia apenas algumas dezenas de indivíduos, uns poucos advogados e midialivristas, todos completamente consternados pelo cenário desolador das famílias desabrigadas. Há 3 dias dormindo sob chuva, feitos de idiotas pelos assistentes sociais da Prefeitura, que tiravam “selfies” (a nova moda!) enquanto centenas de pessoas eram informadas de que não poderiam mais se cadastrar naquela noite – o expediente acabou! Não conseguiram pegar a SENHA, para então voltar nos dias seguintes e fazer um CADASTRO, para então esperarem meses, anos, sabe-se lá quantas eleições, por um teto para morar.

Na internet, li algumas discussões. São invasores? São vagabundos? Havia assaltos! Deveriam ser ladrões…

Ninguém lembrava que eram humanos. Poucos viam os bebês de 2 meses de idade, as crianças que brincavam com seus próprios dejetos absorvidos nas malhas de suas roupas, as senhoras com os pés descalços e os homens e mulheres que não tinham outra opção a não ser aquilo ali, a mais baixa situação de dignidade que eu já presenciei na minha vida.

O Batalhão de Choque, sempre tão covarde, expulsou as famílias de dentro da passarela do Metrô Rio, propriedade pública que eles insistiam que era privada (o único teto que havia ali, diga-se de passagem). É de uma crueldade escatológica jogar aquela gente, que já nada tem, no chão molhado, para terem menos ainda.

Ontem foi um dia em que me senti completamente demente. Fiquei paralisado enquanto uma mulher, chorando e tremendo, dizia que o Choque ia jogar (mais) pimenta nas suas crianças. Tive ataque de riso quando percebi que as doações que chegavam não supririam a necessidade de um terço daquelas pessoas. Decidi ficar pra assistir, mesmo sem bateria no celular, quando o Choque e a Guarda Municipal cercavam os desabrigados e causavam alvoroço. Me vi, mais de uma vez, sem querer, no lugar de decidir quem ali iria beber água potável e quem ficaria sem.

A Humanidade não fracassou, como alguns ali faziam questão de frisar. Fomos para um poço sem fundo, é bem a verdade, mas ao olhar para aquelas centenas de guerreiros e guerreiras das mais variadas idades, a última palavra que me vinha à cabeça era fracasso.

Copa das Remoções

Sábado, 15 de junho, no Quilombo da Gamboa, rola a Copa Popular contra as Remoções, abrindo o calendário de grandes eventos que a cidade vai sediar.

(in)Versões do Preconceito

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