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Bobo da corte

Um pouco antes da Copa, fui convidado pelo Ministério de Relações Exteriores da Alemanha para participar de uma conferência sobre “Megaeventos e Democracia”. Fui vestido assim (foto): traje típico alemão e glitter prateado em toda a pele. O porquê dessa roupa eu só expliquei ao fim do workshop – e explico ao fim deste texto também.

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Comecei a apresentação falando dos Bobos da Corte. Eles eram os únicos que podiam dar más notícias e até zombar de membros da corte sem terem suas cabeças cortadas. Depois, tracei um panorama do Brasil de junho de 2013 até junho de 2014, passando pelas pautas dos protestos, pela repressão promovida pelos governos e pelo empenho da mídia em chamar manifestantes de “vândalos”. Exibi alguns vídeos, os de verdade e os meus (a plateia sempre ria mais dos originais, achei super engraçado).

Faltando 5 minutos para o fim, mostrei um slide com os danos que a empresa alemã Tyssen Krupp causa ao meio-ambiente no estado do Rio de Janeiro. A usina siderúrgica é responsável por uma chuva de prata, altamente tóxica. Não tem licença ambiental, e mesmo assim funciona a todo vapor, com subsídios do governo do Rio. Disse aos participantes e aos membros do Ministério que assim, vestido de alemão prateado, era a forma que eu tinha encontrado de passar essa mensagem de forma mais efetiva, e sem o risco de ter minha cabeça cortada (a Tyssen Krupp patrocinava o evento, rs). Foi super bem recebida a intervenção, preciso dizer…

(ah, sim: no dia seguinte teve um banquete no castelo do Cônsul em Santa Teresa. A Tyssen que ofereceu o buffet – e tava uma delícia)

Aqui tem mais informações: http://paretkcsa.blogspot.com.br/

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Capas do 7×1

Como deveriam ser as capas no dia seguinte à goleada, se a imprensa brasileira ainda prestasse algum papel social.

a gazeta diariodone estadao gazeta do povo meia-hora metro

Baseado nas 50 capas após a derrota de 7×1

A Humanidade ainda não fracassou.

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O movimento LGBT, que diz lutar por Direitos Humanos, não estava lá ontem.

Os professores, que pediram apoio da população quando fizeram greve, não estavam lá ontem.

Os garis, que comoveram as redes sociais durante a greve, não estavam lá ontem.

As igrejas, essas instituições que pregam o amor ao próximo, nenhuma delas estava lá ontem.

A Rede Globo, a Band, o SBT e a Record, e alguns sindicatos, todos deram uma passadinha, mas nenhum estava lá ontem.

Nenhum movimento organizado estava lá ontem.

Havia apenas algumas dezenas de indivíduos, uns poucos advogados e midialivristas, todos completamente consternados pelo cenário desolador das famílias desabrigadas. Há 3 dias dormindo sob chuva, feitos de idiotas pelos assistentes sociais da Prefeitura, que tiravam “selfies” (a nova moda!) enquanto centenas de pessoas eram informadas de que não poderiam mais se cadastrar naquela noite – o expediente acabou! Não conseguiram pegar a SENHA, para então voltar nos dias seguintes e fazer um CADASTRO, para então esperarem meses, anos, sabe-se lá quantas eleições, por um teto para morar.

Na internet, li algumas discussões. São invasores? São vagabundos? Havia assaltos! Deveriam ser ladrões…

Ninguém lembrava que eram humanos. Poucos viam os bebês de 2 meses de idade, as crianças que brincavam com seus próprios dejetos absorvidos nas malhas de suas roupas, as senhoras com os pés descalços e os homens e mulheres que não tinham outra opção a não ser aquilo ali, a mais baixa situação de dignidade que eu já presenciei na minha vida.

O Batalhão de Choque, sempre tão covarde, expulsou as famílias de dentro da passarela do Metrô Rio, propriedade pública que eles insistiam que era privada (o único teto que havia ali, diga-se de passagem). É de uma crueldade escatológica jogar aquela gente, que já nada tem, no chão molhado, para terem menos ainda.

Ontem foi um dia em que me senti completamente demente. Fiquei paralisado enquanto uma mulher, chorando e tremendo, dizia que o Choque ia jogar (mais) pimenta nas suas crianças. Tive ataque de riso quando percebi que as doações que chegavam não supririam a necessidade de um terço daquelas pessoas. Decidi ficar pra assistir, mesmo sem bateria no celular, quando o Choque e a Guarda Municipal cercavam os desabrigados e causavam alvoroço. Me vi, mais de uma vez, sem querer, no lugar de decidir quem ali iria beber água potável e quem ficaria sem.

A Humanidade não fracassou, como alguns ali faziam questão de frisar. Fomos para um poço sem fundo, é bem a verdade, mas ao olhar para aquelas centenas de guerreiros e guerreiras das mais variadas idades, a última palavra que me vinha à cabeça era fracasso.

Detetive – Vigas da Perimetral

Quem roubou as vigas da Perimetral? Só você poderá desvendar este mistério, com o jogo não-autorizado “Detetive – Vigas da Perimetral”.

Assista também:
Comercial honesto do Banco Imobiliário – Cidade Olímpica

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