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A Humanidade ainda não fracassou.

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O movimento LGBT, que diz lutar por Direitos Humanos, não estava lá ontem.

Os professores, que pediram apoio da população quando fizeram greve, não estavam lá ontem.

Os garis, que comoveram as redes sociais durante a greve, não estavam lá ontem.

As igrejas, essas instituições que pregam o amor ao próximo, nenhuma delas estava lá ontem.

A Rede Globo, a Band, o SBT e a Record, e alguns sindicatos, todos deram uma passadinha, mas nenhum estava lá ontem.

Nenhum movimento organizado estava lá ontem.

Havia apenas algumas dezenas de indivíduos, uns poucos advogados e midialivristas, todos completamente consternados pelo cenário desolador das famílias desabrigadas. Há 3 dias dormindo sob chuva, feitos de idiotas pelos assistentes sociais da Prefeitura, que tiravam “selfies” (a nova moda!) enquanto centenas de pessoas eram informadas de que não poderiam mais se cadastrar naquela noite – o expediente acabou! Não conseguiram pegar a SENHA, para então voltar nos dias seguintes e fazer um CADASTRO, para então esperarem meses, anos, sabe-se lá quantas eleições, por um teto para morar.

Na internet, li algumas discussões. São invasores? São vagabundos? Havia assaltos! Deveriam ser ladrões…

Ninguém lembrava que eram humanos. Poucos viam os bebês de 2 meses de idade, as crianças que brincavam com seus próprios dejetos absorvidos nas malhas de suas roupas, as senhoras com os pés descalços e os homens e mulheres que não tinham outra opção a não ser aquilo ali, a mais baixa situação de dignidade que eu já presenciei na minha vida.

O Batalhão de Choque, sempre tão covarde, expulsou as famílias de dentro da passarela do Metrô Rio, propriedade pública que eles insistiam que era privada (o único teto que havia ali, diga-se de passagem). É de uma crueldade escatológica jogar aquela gente, que já nada tem, no chão molhado, para terem menos ainda.

Ontem foi um dia em que me senti completamente demente. Fiquei paralisado enquanto uma mulher, chorando e tremendo, dizia que o Choque ia jogar (mais) pimenta nas suas crianças. Tive ataque de riso quando percebi que as doações que chegavam não supririam a necessidade de um terço daquelas pessoas. Decidi ficar pra assistir, mesmo sem bateria no celular, quando o Choque e a Guarda Municipal cercavam os desabrigados e causavam alvoroço. Me vi, mais de uma vez, sem querer, no lugar de decidir quem ali iria beber água potável e quem ficaria sem.

A Humanidade não fracassou, como alguns ali faziam questão de frisar. Fomos para um poço sem fundo, é bem a verdade, mas ao olhar para aquelas centenas de guerreiros e guerreiras das mais variadas idades, a última palavra que me vinha à cabeça era fracasso.

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1º UPP – UH UH UH Prêmio de Protestos

Ontem rolou o 1. UPP – UH UH UH Prêmio de Protestos – Edição Rio de Janeiro -, que premiou os melhores e piores das manifestações de 2013.

Às 22h, ao final da assembleia popular na Cinelândia, os convidados começaram a ocupar o Tapete de Concreto da Cinelândia. Vamos conferir quem passou por lá?

A NINJA apostou no pretinho básico e não largou mão do smartphone.

A NINJA apostou no pretinho básico e não largou mão do smartphone.

Delegado Orlando Zaccone e vândala Sininho, que colecionava indicações, também prestigiaram a premiação.

Delegado Orlando Zaccone e vândala Sininho, que colecionava indicações, também prestigiaram a premiação.

Manequim vandalizado da Toulon chegou com traje de gala, mas não falou com os jornalistas.

Manequim vandalizado da Toulon chegou com traje de gala, mas não falou com os jornalistas.

A streamer do coletivo Rio na Rua apostou num vestido longo e inovou com a primeira grua de smartphone vista nas manifestações de rua no RJ.

A streamer do coletivo Rio na Rua apostou num vestido longo e inovou com a primeira grua de smartphone vista nas manifestações de rua no RJ.

Plateia na escadaria do Theatro Municipal, instantes antes do início da apresentação. Lei mais dura poderia levar todos estes vândalos para a cadeia, mas felizmente fomos poupados.

Plateia na escadaria do Theatro Municipal, instantes antes do início da apresentação. Lei mais dura poderia levar todos estes vândalos para a cadeia, mas felizmente fomos poupados.

A Premiação foi realizada no Theatro Municipal, e teve a Cinelândia como palco. Logo de início, o apresentador Rafucko explicou como os premiados foram escolhidos: seguindo o modelo de gestão Cabral-Paes, o voto era aberto ao público, mas o próprio Rafucko decidiria os resultados sozinho. A plateia esteve animadíssima durante toda a cerimônia, torcendo por seus candidatos favoritos. O momento alto da noite foi o número musical do rapper Presidente, que puxou diversos gritos de manifestação.

(Assista aqui à transmissão completa por streaming dos canais Rio na Rua, Mídia NINJA e NINJA3_RJ)

Rapper Presidente empolga a multidão: "Cabral, bandido, cadê o Amarildo?" foi um dos sucesso entoados pelo músico.

Rapper Presidente empolga a multidão: “Cabral, bandido, cadê o Amarildo?” foi um dos sucesso entoados pelo músico.

O ponto alto da noite foi quando o manequim da Toulon subiu ao palco para receber o prêmio Molotov de Ouro por “Maior Ato de Vandalismo”. A quebra do manequim provocou uma reunião de emrgência da cúpula de segurança do Rio de Janeiro, algo que nem mesmo a chacina na favela da Maré foi capaz de mobilizar. O manequim, que é um ser inanimado, ficou em silêncio e provocou a reflexão dos presentes, ao vivo e por streaming.

Na entrega do prêmio de “Melhor Grito”, quem anunciava os indicados era a própria plateia. Os gritos eram acompanhados pelo barulho da porta de um ônibus, entoado por um motorista que encostou o veículo para assistir a premiação.

O prêmio de “Melhor Prisão” foi cancelado no primeiro ano da premiação. O apresentador lembrou que ainda há presos políticos e que a situação é muito séria. A Pedra Portuguesa de Ouro desta categoria foi guardada para ser entregue ao governador Sérgio Cabral, no dia em que ele for pro lugar dele: a cadeia.

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Manequim da Toulon faz discurso de agradecimento. O silêncio do ser inanimado emocionou a plateia presente. (foto: Mídia NINJA)

Segue a lista dos grandes vencedores da concorrida Pedra Portuguesa de Ouro® 2013.

Melhor Ocupação
Ocupa Cabral
Ocupa Câmara Rio
Ocupa Paes
Ocupa Odebrecht

Melhor Grito
“Fora Cabral!”
“Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”
“Não vai ter Copa”
“Não me representa”

Maior Ato de Vandalismo (Molotov de Ouro)
Sentar nas escadarias da Câmara
Quebrar os manequins da Toulon
Pichar a ALERJ
Queimar ônibus

Pior Manipulação
“A voz que emergiu das ruas”, Revista VEJA
“Lei mais dura leva 70 vândalos para a cadeia”, Jornal O Globo
“Quem são os Black Blocs?”, Revista Época
Leilane Neubarth, pelo conjunto da obra (Globo News)

Maior Repressão
Papafolia (22/7, Palácio Guanabara)
Dia da Independência (7/9, Av. Presidente Vargas e Palácio Guanabara)
Dia dos Professores/Black Prof (15/10, Cinelândia)
Marcha dos 300 mil (20/6, Av. Presidente Vargas)

Melhor streaming/cobertura
Mídia NINJA
Rio na Rua
MIC – Mídia Independente Coletiva
Coletivo Mariachi

Melhor Protesto Alternativo
Coletivo Projetação
Pink Bloc
Tatu-Bola na abertura da Copa das Confederações
Casamento da Dona Baratinha
Palhaço Paga-Nada

Molotov de Ouro, o prêmio mais aguardado da noite. (foto: Coletivo Carranca)

Molotov de Ouro, o prêmio mais aguardado da noite. (foto: Coletivo Carranca)

No after-party mais concorrido, os manequins da Toulon receberam convidados na Casa Nuvem, no Beco do Rato. Batman Pobre chegou atrasado, porque veio de ônibus, e só chegou para a festa.

O apresentador Rafucko com o manifestante Bruno Teles, também preso com flagrante forjado pela PM, e Batman Pobre.

O apresentador Rafucko com o manifestante Bruno Teles, também preso com flagrante forjado pela PM, e Batman Pobre.

Em breve, os vídeos editados da premiação!

Copa das Remoções

Sábado, 15 de junho, no Quilombo da Gamboa, rola a Copa Popular contra as Remoções, abrindo o calendário de grandes eventos que a cidade vai sediar.

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